Envenenamento solar: queimadura grave pode causar febre e desmaios

Já estamos cientes que a radiação solar pode causar queimaduras, bolhas, dano celular, envelhecimento precoce e um risco aumentado de câncer de pele. Mas uma reação alérgica do corpo à queimadura é especialmente perigosa e conhecida como “envenenamento solar”, uma condição que se parece com a gripe e o paciente, além de lidar com a queimadura dolorosa, pode ter febre, calafrios, náusea, vômito, exaustão e até desmaios. “O envenenamento solar é uma reação a uma queimadura grave que afeta todo o corpo e os sintomas podem durar de algumas horas, em casos mais leves, a dias, em casos mais graves”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

O que acontece na pele – A radiação solar lesiona o tecido cutâneo deixando a pele avermelhada, sensível; além disso, pode provocar bolhas, ardência, coceira, desconforto, elevação da temperatura da pele, ressecamento e inflamação. Em caso de queimaduras severas, pode provocar dores de cabeça, febre, calafrios e fadiga. A descamação da pele acontece, geralmente, 4 a 7 dias após a exposição solar.

De acordo com a médica, o que acontece no envenenamento solar é uma inflamação: “Quando sua pele queima, ela fica inflamada e isso causa a vermelhidão e a hipersensibilidade. Mas, dependendo da exposição do corpo aos raios ultravioleta e a susceptibilidade da pele, as queimaduras podem causar também uma inflamação sistêmica em todo o corpo, com urticária, erupções e bolhas”, afirma a dermatologista.

O envenenamento solar pode afetar pessoas que passam longos períodos em exposição solar sem fotoproteção adequada e é mais comum na praia, pois a radiação não vem apenas diretamente do sol: a areia e a água também refletem o UVA e UVB, além do corpo sentir o Infrared por meio do calor. “A radiação ultravioleta B deixa a pele vermelha, inflamada e queimada, danificando a epiderme e é mais abundante entre as 10 da manhã e as 4 da tarde. Seu grau de proteção é medido pelo FPS e é uma radiação que pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização”, completa a médica.

Como tratar – Se passar muito tempo ao sol causou envenenamento solar, há duas coisas que você deve fazer imediatamente: em primeiro lugar, sair do sol. “Idealmente, você deve ir para dentro e gradualmente esfriar a pele com uma compressa fria ou um banho frio”, diz. “Evitar o sol por vários dias também é recomendado”. Em seguida, procurar um dermatologista o mais rápido possível ou um médico em atendimento rápido, que pode recomendar um anti-inflamatório. “Além disso, o paciente deve manter-se bem hidratado para ajudar a reduzir a inflamação sistêmica e acelerar a cicatrização da queimadura solar. Se não for detectado, o envenenamento solar pode levar à desidratação grave que requer hospitalização”, diz a médica.

O médico pode indicar a loção pós-sol. “Devemos utilizá-la após a exposição solar sempre que a pele estiver avermelhada, sensível, com ardência ou se ocorreu abuso por falta de FPS adequado ou muitas horas em exposição – o que causará desconforto, ressecamento e inflamação. A sua ação é de promover conforto, hidratação imediata com sensação de frescor, amenizar a inflamação e diminuir a vermelhidão assim como recuperar o tecido cutâneo lesionado pela radiação solar”, afirma a Dra. Claudia. O pós-sol normalmente tem veículo mais fluido na forma de gel, loção aquosa ou creme gel, rico em anti-inflamatórios e calmantes, esses produtos têm em sua composição extratos como camomila, aloe vera, edelweiss, malva, nicotinamida, Vitamina E, Vitamina B5, calamina, aveia coloidal, entre outros que promovem a recuperação da pele logo após a exposição solar.

Áreas como a região do peitoral, ombros, costas, braços, mãos e pés devem ser priorizadas. Mas todo o corpo pode se beneficiar destes produtos. Para a face e pescoço, devem ser utilizados produtos específicos para esta região e no caso de ardência e desconforto, a médica indica utilizar a água termal para potencializar o efeito na forma de compressas ou jateando sobre a região desejada. Mas, ela enfatiza: dependendo da gravidade da queimadura, o ideal é consultar um médico. “No caso de receitas caseiras, a Maizena pode ser usada para aliviar o sintoma de ardência, desconforto e vermelhidão: deve ser diluída em água, chamado banho coloidal, em média seis colheres de sopa cheias para dois litros de água”, afirma a médica. Mas o correto sempre é assim que possível buscar ajuda com o especialista. Pomadas à base de vitamina B5 e Calamina assim como aveia coloidal ajudam a acalmar a pele lesionada.

Lembre-se também de hidratar a pele mesmo após os sintomas. “Ativos hidratantes à base de ácido hialurônico e silício, vitaminas e óleos terapêuticos de reparo como de óleo de argan, calêndula, girassol e orquídea melhoram a hidratação evitando que a pele fique ressecada e descame, também promovendo o reparo e regeneração epidermal”, afirma.

Como evitar – É claro que, assim como as queimaduras solares, a melhor maneira de tratar casos graves de envenenamento solar é preveni-los. A principal dica é ir à praia ou estar em exposição solar direta nos horários recomendados: até às 10horas da manhã e depois das 16horas, pois existe uma menor incidência da radiação ultravioleta B. “Existe nesse período das 10h às 16h a combinação da radiação ultravioleta B com a radiação ultravioleta A, de raios mais curtos e mais longos, o que acaba trazendo não só a queimadura como um risco maior de cancerização”, comenta. Além desses horários, o filtro solar deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição solar direta, além de ter FPS de no mínimo 30 e peles mais claras devem usar FPS 50. “Esse protetor solar deve combinar filtros químicos e físicos. Os filtros físicos são partículas inorgânicas que refletem ou dispersam a radiação, já os químicos são partículas orgânicas que absorvem o fóton de energia. Mas os filtros físicos bloqueadores à base de dióxido de titânio, óxido de ferro e zinco são fundamentais. Eles agem como uma parede de tijolos – onde a luz bate e volta sem absorvência. Os filtros químicos são importantes, mas altamente instáveis; então na sudorese, na água do mar, a molécula fica quimicamente instável e deixa de proteger”, comenta. Por fim, além do uso de chapéus, bonés e roupas com FPS 50, é recomendada a reaplicação do protetor a cada 2 horas ou após 20 min na água e na quantidade correta.

Fonte: DRA. CLAUDIA MARÇAL – É médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.



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