As novidades do Congresso Europeu de Dermatologia

dermatologia atualO Congresso Europeu de Dermatologia é um dos mais importantes eventos médicos do mundo por reunir especialistas e pesquisadores dos mais conceituados centros de pesquisas em Medicina Dermatológica. Na edição de 2015, o encontro aconteceu na capital dinamarquesa, Copenhagen, durante os dias 08 a 11 de outubro. A Dra. Denise Steiner, dermatologista e Coordenadora do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Dermatologia, compareceu ao evento e traz agora as novidades apresentadas durante o Congresso:

Vitiligo:

O vitiligo é uma doença crônica que causa despigmentação da pele. Segundo Denise Steiner, o tratamento é bastante difícil por não se conhecer a causa exata dessa dermatose.

“Há alguns poucos anos, sabemos que trata-se de uma doença onde a parte imunológica tem um grande papel”, explica a dermatologista. “Os melanócitos, onde a melanina é produzida, são agredidos e alguns fatores inflamatórios tem um grande potencial agressivo e destroem o mesmo”. Dra. Denise revela que recentemente se demonstrou o papel de uma citoquina, a CXCL-10, que está aumentada e tem sua expressão aumentada no vitiligo. “Esta descoberta, por meio desses estudos, apontam novas possibilidades terapêuticas para o vitiligo”.

Sobre os tratamentos possíveis, Dra. Denise explica as mais recentes pesquisas: “Os inibidores das prostaglandinas, como a latanoprosta, tem demonstrado algum resultado. Porém, no momento, os medicamentos existentes com essa substância têm outras indicações, como crescimento e alongamento dos cílios”, revela. Outra droga estudada para tratamento de vitiligo é a sinvastatina. Esta é uma droga utilizada para diminuir a tendência para o colesterol alto e também da placa inflamatória nos vasos.  Segundo Dra. Denise, “a sinvastatina também tem uma ação inibitória sobre a CXCL-10, e, portanto, pode melhorar o vitiligo”.

Por último, Dra Denise fala sobre as descobertas acerca da Tofacitinib, medicação que mostrou resultados no tratamento para vitiligo. “Trata-se de uma medicação para tratamento da artrite reumatoide (já aprovado para este fim) e que aparece ter resultados na despigmentação do vitiligo”, explica a dermatologista. Segundo Dra. Denise, “essa droga, que é inibidora da JAK, tem seu mecanismo de ação relacionado à ação anti-inflamatória, inclusive da citoquina CXCL-10 que está implicando no aparecimento do vitiligo. A dermatologista, no entanto, alerta: a medicação ainda não está aprovada no Brasil. “Ela é bastante custosa, tem alguns efeitos colaterais, mas parece ser bem interessante para essa doença que prejudica muito a autoestima e tem poucas opções de tratamento”. Dra. Denise Steiner ressalta que também é importante lembrar que quanto antes o vitiligo for tratado, melhor os resultados finais.

Melasma:

Dra. Denise revela que o melasma também teve grande destaque durante o Congresso. “Esta é uma doença crônica, não contagiosa e com a etiologia não totalmente esclarecida. A produção de melanina está alterada por inúmeros estímulos como: radiação UV, estresse, entre outros”, explica a especialista.

“Neste congresso foi enfatizada a importância da microvascularização no melasma. Algumas substâncias ativas no endotélio dos vasos da região estimulam o melanócito a produzir mais pigmento. Neste sentido, quando os vasos forem visíveis é importante trata-los para evitar o prolongamento e intensificação do avermelhamento e consequente hiperpigmentação”. Segundo a dermatologista, lasers como Pulsed Dye Laser e Nd Yag podem ser usados. “O ácido tranexâmico também é uma opção de tratamento e parece melhorar a parte melanogênica e também vasculogênica. Seu papel é inibir uma interação especifica entre os queratinócitos e melanócitos”, explica Denise Steiner.

A dermatologista também alerta para a importância do cuidado com a luz visível, que também parece ser muito importante no tratamento e controle do melasma. “A luz visível agride mais as peles morenas e manchadas, produzindo maior pigmentação. A proteção em relação a esta luz é fundamental para não piorar as manchas”. Denise Steiner esclarece que, para proteção contra luz visível, são possíveis duas abordagens: “a primeira é usar filtro solar com cor, pois não existem filtros específicos para proteger da luz visível. Outra questão é usar filtro solar com antioxidantes para neutralizar os radicais livres que também estão implicados no processo inflamatório da pele”.

Envelhecimento:

A expectativa de vida aumentou muito e também os estudos sobre os processos do envelhecimento. Várias situações interferem no envelhecimento, entre elas a genética, nutrição e ambiente. “Antes se considerava o gene como uma estrutura intacta e hoje, por meio de estudos da epigenética, sabe-se que podem ocorrer mudanças nos mesmos, que alteram sua expressão”, revela Denise Steiner. Segundo a especialista, sabe-se também que o ambiente influencia na sua expressão genética.

A dermatologista também explica sobre uma nova possibilidade, advinda de uma linha de estudo relacionada à longevidade das células, provavelmente relacionada ao tamanho dos telômeros. “As células chegam a um período de envelhecimento que é muito interessante, pois ou elas param de se multiplicar ou viram células cancerosas. Um dos aspectos relacionados à longevidade maior das células é uma dieta hipocalórica, que ativa alguns receptores e as proteínas, denominadas sirtuínas. Há várias possibilidades de se agir nesses receptores e haver o prolongamento da vida”, revela Denise Steiner. A especialista ainda traz novidades sobre o uso das chamadas “stem cells” (células tronco). “Estas células possuem grande potencial de multiplicação e também transformação em vários outros tipos celulares. Elas são chamadas células tronco e podem ser multifuncionais. A expressão genética e também o meio ambiente podem ajudar no funcionamento e comportamento das mesmas. Elas também podem rejuvenescer quando estimulados por algumas situações ou ativos específicos”.

Denise Steiner ressalta a importância da prevenção e dos cuidados diários com a saúde não só da pele, mas do corpo em geral. “A pessoa que chegará a 150-170 anos já nasceu hoje. Então algumas medidas podem ser efetivamente tomadas para vivermos mais”.

Segundo a médica, os principais cuidados recomendados a serem tomados são:

      1. Dietas hipocalóricas.

      2. Exercício moderado e constante.

      3.  Menos estresse e mais lazer

      4. Controle de doenças para as quais o paciente tenha pré-disposição

      5. Manter o equilíbrio hormonal

      6. Uso de vitaminas antioxidantes conforme indicação

      7. Cremes à base de sirtuínas, resveratrol, coenzima Q10, fatores de crescimento, stem cells vegetais

Todos podem contribuir para uma bela velhice. 

Fonte: Dra. Denise Steiner é médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da qual foi presidente entre os anos de 2013 e 2014. Atualmente, a dermatologista é Coordenadora Científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dra. Denise Steiner também é especialista em Hansenologia, em Saúde Pública e em Medicina do Trabalho, além de ser Doutora em Dermatologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Também é autora de várias publicações de reconhecimento nacional e internacional, entre elas: “Calvície – Um assunto que não sai da cabeça”, “Beleza sem Mistério” e “Envelhecimento Cutâneo”.



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