Novo ativo extraído do Cardo de Leite clareia manchas sem efeitos adversos, diz estudo

O melasma é uma dermatose caracterizada por manchas escuras ou acastanhadas (e geralmente com padrão bilateral), que afeta principalmente mulheres em idade fértil com peles mais morenas e que residem em países de climas quentes, como explica a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. “Apesar de não ter cura, o tratamento contínuo promove melhora significativa e o uso de produtos diários ajuda no controle da hiperpigmentação”, afirma a médica. O problema é que um dos principais tratamentos tópicos para o melasma é a hidroquinona, um medicamento banido da Europa e algumas partes da Ásia por conta dos inúmeros efeitos colaterais. Mas um estudo publicado no Journal of Cosmetic Dermatology promete dar novas esperanças ao tratamento dessa doença, por meio da descoberta da Silimarina, um medicamento antioxidante extraído da planta Cardo de Leite, que poderia oferecer o mesmo nível de eficácia do tratamento para o melasma, com mais benefícios para os pacientes do que a terapia mais amplamente utilizada, a hidroquinona.
De acordo com a médica, entre os efeitos colaterais da hidroquinona estão eritema (vermelhidão), dermatite de contato alérgica, fotossensibilidade à luz do sol, e pelo uso contínuo pode provocar ocronose exógena (cor cinza azulada) na área de utilização crônica e pequenas lesões espalhadas no local de aplicação da hidroquinona se a pele for sensível, o tempo de uso prolongado ou as concentrações forem elevadas. “Há uma interrogação quanto ao potencial de transformação celular e possível indução carcinogênica pelo uso progressivo da hidroquinona”, completa a médica.
O estudo revelou que pacientes tratados com duas concentrações diferentes de Silimarina alcançaram uma melhora estatisticamente semelhante em seus sintomas de melasma, em comparação com terapias mais tradicionais. “Mas os pacientes tratados com Silimarina, no entanto, tiveram menos efeitos colaterais”, diz Lucas Portilho, farmacêutico e consultor em Cosmetologia, diretor científico da Consulfarma. Este estudo é o primeiro a comparar diretamente a eficácia e o impacto de ambos os medicamentos.
De acordo com a médica, clinicamente, o melasma é difícil de tratar. “Ele pode ser resistente a diferentes abordagens terapêuticas e tem uma alta taxa de recaída, causando impactos psicológicos e de qualidade de vida negativos”, afirma a médica. “Embora sua patogênese não seja completamente compreendida, sabe-se que a radiação ultravioleta devido à exposição ao sol é um fator contribuinte significativo, já que as manchas são exacerbadas pela radiação solar”, afirma o farmacêutico Lucas Portilho. Pesquisadores também acreditam que o estresse oxidativo está envolvido nessa condição de pele.
Derivada do cardo de leite, o principal componente da Silimarina é o antioxidante Silibinina, mas seu modo exato de ação ainda não foi identificado. “Foi demonstrado que diminui os efeitos perigosos da radiação ultravioleta solar, incluindo o estresse oxidativo, inflamação, edema, eritema, danos no DNA e respostas imunes. Além disso, de uma forma dependente da dose, pode impedir a produção de melanina sem afetar a viabilidade celular”, afirma a Dra. Claudia.
Para testar como a silimarina se compara como uma possível opção de tratamento, os pesquisadores dividiram 42 participantes do sexo feminino em três grupos. Cada grupo continha 14 pacientes. O grupo 1 recebeu um regime de creme de silimarina a 0,7% duas vezes ao dia. O Grupo 2 foi tratado com creme de silimarina de 1,4% duas vezes ao dia, e o Grupo 3 foi tratado com creme de hidroquinona de 4% uma vez ao dia. O estudo durou três meses, e os pacientes foram instruídos a evitar a exposição excessiva ao sol e aplicar protetor solar de pelo menos FPS 50.
De acordo com os resultados do estudo, todos os pacientes experimentam aproximadamente o mesmo nível de melhora do melasma. “A diferença entre os medicamentos surgiu quando os pesquisadores examinaram a ocorrência de efeitos colaterais. Eles descobriram que a hidroquinona causava efeitos colaterais significativos e frequentes. Neste estudo atual, os pesquisadores relataram que 71,4 por cento dos receptores de hidroquinona (10 indivíduos) experimentaram eritema”, diz Lucas Portilho. Por outro lado, de acordo com a análise dos dados, os participantes tratados com silimarina não tiveram efeitos colaterais negativos.
Com base nesses resultados, os autores recomendaram novas pesquisas, mas concluíram que a silimarina tópica pode ser uma boa opção para pacientes que apresentam efeitos colaterais indesejados com a hidroquinona.

Mais tratamentos

O exame clínico dermatológico é que vai indicar o diagnóstico e o tratamento da condição crônica cuja melhora depende do paciente (uso de produtos adequados e cuidados com a fotoexposição) e que pode piorar com tratamentos mais agressivos. A questão da fotoproteção é indispensável para estabilizar os benefícios dos tratamentos. “O uso de fotoprotetores com no mínimo FPS 30 para rosto e corpo (nas áreas mais expostas) deve ser diário e esse produto deve conter ativos como dióxido de titânio e óxido de zinco, que formem uma proteção física, como uma verdadeira barreira de tijolos, para que haja refletância dos raios ultravioletas”, destaca a dermatologista. “A reaplicação do filtro solar deve ser feita a cada três horas em ambientes fechados e a cada duas horas em exposição solar direta”, completa.
A dermatologista também explica que o controle do melasma ainda pode ser feito com produtos antioxidantes, ácidos clareadores e suplementação via oral, além de lasers, luz pulsada e peelings. “As cápsulas orais com ativos antioxidantes e clareadores vêm sendo utilizadas, principalmente durante o verão, e oferecem benefícios na proteção contra os raios UV”, afirma.
Nas clínicas, o tratamento dermatológico mais realizado para pacientes com melasma é o laser, tanto o fracionado não-ablativo quanto o Q-Switched Nd:YAG, que atua nos pigmentos mais profundos minimizando o risco de hiperpigmentações pós-inflamatórias e escurecimento do melasma, sendo possível utilizá-lo para pacientes com fototipos mais altos. “Mas essas estratégias são utilizadas geralmente no inverno quando a incidência dos raios UV é menor. No Verão, o uso de vitaminas antioxidantes como a Vitamina C e E, e ácidos como ferúlico e malínico em associação a biopeptídeos e micronutrientes ajudam no controle do melasma”, finaliza a dermatologista.



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