Cirurgia metabólica poderá revolucionar tratamento contra diabetes

cirurgia metabólicaDia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes, data que marca a importância da prevenção e do combate a esta doença crônica e de difícil controle. A Organização Mundial da Saúde estima que 9% da população mundial têm a doença e que em 2035 ela seja a 7ª causa de mortes ao redor do mundo. Conforme dados da International Federation of Diabetes (IDF), cerca de 400 milhões de adultos têm diabetes, desses, 13,5 milhões apenas no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Além da terapia clínica convencional, os diabéticos poderão ter um novo aliado na luta contra esta doença: a cirurgia metabólica.
Diversos estudos e pesquisas científicas nacionais e internacionais revelam que a intervenção cirúrgica é uma opção real e efetiva para controlar o diabetes descompensado. Considerada uma variante da cirurgia bariátrica, a cirurgia metabólica é tecnicamente similar aos procedimentos de redução do estômago, mas possui um objetivo específico: tratar e controlar Síndromes Metabólicas, que têm como principal característica a resistência insulínica, e secundariamente promover perda de peso.
“Sabe-se que a cirurgia metabólica tem ações contra a diabetes independentes da perda de peso. Existe uma tendência mundial de que ela possa fazer parte, junto com o tratamento clínico, do controle do diabetes e doenças associadas. Os cirurgiões bariátricos têm essa clareza há algum tempo, mas outros profissionais não. O Brasil é um dos pioneiros nas pesquisas de cirurgia do diabetes”, afirma o Dr. Ricardo Cohen, um dos principais pesquisadores do mundo na área e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).
Em setembro a revista científica Lancet publicou estudo randomizado conduzido pelo King’s College London (que criou recentemente uma cátedra de cirurgia metabólica) e pela Università Cattolica de Roma, que comparou pela primeira vez os resultados em longo prazo do tratamento clínico e do tratamento cirúrgico da diabetes. Outros estudos já comprovaram que, em curto prazo, os resultados da cirurgia metabólica são melhores para controlar o diabetes do que as terapias clínicas.
O estudo reuniu 60 diabéticos de 30 a 60 anos com IMC de 35 kg/m², dos quais 53 completaram todas as etapas, e foram divididos em três grupos: um foi tratado convencionalmente, outro foi submetido à cirurgia metabólica com a técnica bypass gástrico e o terceiro também passou por intervenção cirúrgica com a técnica de derivação biliopancreática.
Para avaliar os resultados foi feito um acompanhamento de cinco anos com os pacientes. Não houve mortalidade nem complicações nos pacientes, sendo que 50% dos que passaram pela cirurgia metabólica tiveram e mantiveram a remissão da diabetes nos cinco anos, contra nenhum dos pacientes submetidos ao tratamento convencional.

Mudança de Paradigma
Atualmente está em trâmite no Conselho Federal de Medicina (CFM) a aprovação do Escore de Risco Metabólico (ERM). Elaborado pela SBCBM em conjunto com outras cinco entidades médicas (SBEM, SBD, ABESO, CBC e CBCD), o ERM é uma proposta de critérios para elegibilidade de candidatos ao tratamento cirúrgico da diabetes, assim como o Índice de Massa Corporal (IMC) é para a cirurgia bariátrica. Se aprovada, a proposta irá promover uma mudança de paradigmas no combate à diabetes.
“A perda de peso na cirurgia metabólica é um efeito secundário, que resulta de uma intervenção para tratar a síndrome metabólica e seus componentes. O ERM não substituirá o IMC, mas o IMC deixará de ser o único critério para indicar a cirurgia metabólica: ele é preciso para a cirurgia bariátrica, que para ter sucesso depende somente da perda de peso. Para a cirurgia metabólica, não é um critério preciso. O ERM integra o IMC a outros critérios de avaliação”, explica o Dr. Cohen.
Na prática isto significa ampliar o acesso aos pacientes diabéticos, mas não necessariamente obesos (IMC acima de 30 kg/m²). Desta forma, entre 5% e 15% dos 13,5 milhões de diabéticos no Brasil poderão ter mais uma alternativa para controlar a doença e suas comorbidades. “O tratamento clínico, não apenas no Brasil, como em todo o mundo, não é eficiente. A média de controle da diabetes é pequena”, esclarece o Dr. Ricardo Cohen.
O ERM também foi criado pensando em todos os cuidados para não ocorrer indicação de cirurgia metabólica em qualquer caso. São mais de 10 aspectos analisados, além do diabetes descompensado, que devem somar uma pontuação mínima necessária. A técnica que será utilizada será a mais realizada no Brasil: o bypass gástrico.
Para o Dr. Ricardo Cohen também é preciso ressaltar que tanto o ERM como a cirurgia metabólica é um trabalho multidisciplinar, que envolve outros especialistas além do cirurgião, e não substitui necessariamente a terapia clínica.
“A proposta enviada ao CFM consta que o responsável por indicar a cirurgia é o endocrinologista. A doença é primariamente clínica. Nós desejamos fazer parte do tratamento e controle da diabetes, uma doença crônica que já toma proporções epidêmicas. Não se trata de aprovar um tratamento cirúrgico, mas sim de oferecer uma nova opção para os diabéticos que não conseguem bons resultados apenas com o tratamento clínico. A cirurgia metabólica é a favor do paciente, não contra o tratamento clínico”, finaliza o Dr. Cohen.

Sobre a SBCBM
A SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica foi fundada em 1996. Inicialmente batizada como SBCB – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, em 2006 a entidade inseriu a palavra “Metabólica” em seu nome, devido à crescente importância da cirurgia metabólica na comunidade médica.
A cirurgia bariátrica vem crescendo expressivamente no Brasil, que é o segundo país com mais cirurgias realizadas. Em 2014 foram realizados cerca de 88 mil procedimentos. Do número total de cirurgias feitas no Brasil estima-se que 10% são feitas pelo SUS.
Possui atualmente mais de 1500 sócios entre cirurgiões e especialidades associadas (endocrinologista, cardiologista, educadores físicos, cirurgiões plásticos, fisioterapia, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, nutricionista e nutrólogo e psiquiatra e psicólogo) com representantes no país por meio de capítulos ou delegacias.



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