Tudo que você precisa saber sobre o AVC

A Johnson & Johnson Medical Devices disponibiliza o médico Eduardo Wajnberg, neuroradiologista do Hospital das Américas/RJ, especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular, para entrevistas sobre AVC (Acidente Vascular Cerebral) – sinais, sintomas e prevenção. Embora seja uma doença considerada silenciosa, especialistas afirmam que 90% dos casos poderiam ser evitados. O desconhecimento dos sinais da doença pelo público constitui o principal entrave para garantir maiores chances de êxito no tratamento, que só serão realidade quando a população e os serviços de emergência forem conscientizados da necessidade de se identificar rapidamente os sintomas e sinas do AVC, como acontece no infarto agudo do miocárdio, por exemplo.

Os números ligados ao AVC são alarmantes: a cada dois segundos alguém sofre um AVC no mundo. A doença, que acomete 16 milhões de pessoas por ano ao redor do globo, é uma das principais causas de morte no planeta, com mais de 6 milhões de óbitos anuais, e também no Brasil, com 68 mil mortes por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Além disso, representa a primeira causa de incapacidade no País, o que gera grande impacto econômico e social – segundo dados da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, hoje aproximadamente 70% das pessoas não retornam ao trabalho após um AVC devido às sequelas e 50% ficam dependentes.

Existem 2 tipos de AVC, o isquêmico, que representa 80% dos casos e o hemorrágico, que acomete 20% das vítimas com alto índice de mortalidade.

 

Informações de apoio:

 

  • O que é AVC

Acidente Vascular Cerebral (AVC) – conhecido popularmente como derrame cerebral -pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. Classicamente o AVC é dividido em 2 subtipos:

  • AVC Isquêmico: ocorre pela obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral causando falta de circulação no seu território vascular;

 

  • AVC Hemorrágico: o acidente vascular cerebral hemorrágico é causado pela ruptura espontânea (não traumática) de um vaso, com extravasamento de sangue para o interior do cérebro (hemorragia intracerebral), para o sistema ventricular (hemorragia intraventricular) e/ou espaço subaracnóideo (hemorragia subaracnóide).

 

  • Sintomas e sinais de alerta

Muitos sintomas são comuns aos dois tipos de AVC, como:

  • Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo
  • Confusão, alteração da fala ou compreensão
  • Alteração na visão (em um ou ambos os olhos)
  • Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar
  • Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente

 

  • Fatores de risco

A maioria dos fatores de risco para AVC são passíveis de intervenção, portanto é possível se fazer um tratamento preventivo, a chamada prevenção primária. Entre os fatores de risco que podem ser modificados destacam-se:

  • Hipertensão;
  • Diabetes;
  • Tabagismo;
  • Consumo frequente de álcool e drogas;
  • Estresse;
  • Colesterol elevado;
  • Doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias;
  • Sedentarismo;
  • Doenças hematológicas.

 

Existem ainda fatores que podem facilitar o desencadeamento de um Acidente Vascular Cerebral, como o envelhecimento. Pessoas com mais de 55 anos possuem maior propensão a desenvolver o AVC, assim como indivíduos da raça negra com história familiar de doenças cardiovasculares.

 

  • AVC é uma emergência médica

Enquanto novas terapias oferecem a possibilidade de prognósticos mais positivos para os pacientes com AVC, o desconhecimento dos sinais desta doença pelo público representa o principal entrave para garantir maiores chances de êxito. O tratamento precoce do AVC na fase aguda é considerado essencial, mas só pode alcançar sucesso se a população e os serviços de emergência forem conscientizados da necessidade de se identificar rapidamente os sintomas e sinas do AVC, como acontece no infarto agudo do miocárdio.

 

  • Tempo perdido é cérebro perdido: a cada minuto que o cérebro passa em isquemia, 2 milhões de neurônios são perdidos, segundo estudos.

Vale alertar que o protocolo de atendimento ao AVC é extremamente importante, pois o tempo é decisivo para um prognóstico positivo, para ambos os tipos da doença; no caso do isquêmico, que é o mais comum, o tratamento medicamentoso deve ser ministrado em até quatro horas e meia após os primeiros sintomas e, por intervenção cirúrgica endovascular, a janela de tempo para o tratamento é mais prolongada, chegando a 8 horas após o início dos sintomas. O tempo até o atendimento é que vai determinar as sequelas, e consequentemente, a qualidade de vida do paciente após o AVC.

 

Infelizmente, a maioria dos pacientes não chega ao hospital em tempo. De qualquer modo, todo paciente deve ser encaminhado ao hospital o mais rapidamente possível, para receber tratamento apropriado. Os procedimentos diagnósticos realizados no hospital são fundamentais para diferenciar o Acidente Vascular Cerebral de outras doenças igualmente graves e com sintomas semelhantes.

 

  • Tratamentos

Até 2014, o tratamento do AVC isquêmico era feito quase que exclusivamente com trombolíticos, medicamentos capazes de dissolver o coágulo ou trombo e restabelecer o fluxo sanguíneo no cérebro na maioria dos casos, desde que ministrados até 4,5 horas após o início dos sintomas. A trombectomia mecânica – procedimento endovascular que visa a retirada do trombo por meio de cateter – e a terapia combinada eram até então consideradas terapias alternativas, pois a real eficácia destas estratégias ainda permanecia desconhecida.

 

O ano de 2015 foi um divisor de águas para o tratamento do AVC – Acidente Vascular Cerebral, pois foi um período marcado pela publicação de diversos estudos científicos que representaram um verdadeiro avanço nos cuidados com vítimas de AVC isquêmico, ao comprovar a segurança e eficácia da trombectomia mecânica com boa evidência científica, sólida e randomizada de que o procedimento beneficia os pacientes, reduzindo sequelas, mortalidade e aumentando a taxa de independência funcional.

 

  • Os centros de tratamento de AVC e a presença do neurologista

Para que o tratamento do AVC alcance os melhores resultados, o paciente deve ser atendido por uma equipe multidisciplinar treinada e coordenada por um médico neurologista com experiência em AVC. Esse serviço deve funcionar vinte e quatro horas por dia durante os sete dias da semana. Esse centro deve possuir laboratório de emergência, serviço de tomografia computadorizada ou ressonância magnética e um apoio de uma unidade de tratamento intensivo (UTI).

 

Nessas circunstâncias, ou seja, o atendimento em centros de AVC oferece melhores resultados pois o uso sobretudo das novas técnicas de tratamento na fase aguda requer rigorosos protocolos de segurança. É fundamental que as autoridades de saúde e diretores de hospital onde se atende AVC formem equipes para organização do tratamento.

 

 



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